Biden x Bernie: as propostas, os pontos fortes e os fracos dos pré-candidatos democratas nos EUA

Biden x Bernie: as propostas, os pontos fortes e os fracos dos pré-candidatos democratas nos EUA
4 de março de 2020 comprararmas

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Resultados da Super Terça deixaram a corrida democrata praticamente restrita a Bernie Sanders (esq) e Joe Biden

Os resultados preliminares da Super Terça, quando 14 Estados americanos realizaram eleições primárias, afunilaram nesta quarta-feira (4/3) a corrida democrata pela candidatura de quem enfrentará Donald Trump nas urnas em 3 de novembro.

Agora, o ex-vice-presidente Joe Biden está na liderança em número de delegados (433 até o momento), tendo ultrapassado o senador Bernie Sanders (388).

Estão em disputa 3.979 delegados, e o candidato que alcançar 1991 (a metade arredondada mais um) desses votos conquista a candidatura.

Com a desistência do ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg e os resultados pouco expressivos até agora da senadora Elizabeth Warren, a candidatura deverá ficar entre Sanders e Biden, a depender de como votarão os demais eleitores democratas nos cerca de 30 Estados que ainda realizarão prévias até meados do ano.

A seguir, as plataformas principais de cada um deles, bem como seus pontos fortes (e fracos) na tentativa de vencer Trump.

Joe Biden: herdeiro de Obama

Biden, pré-candidato centrista, demonstrou contar com o respaldo dos eleitores democratas nos Estados sulistas que já realizaram prévias até agora.

Tendo passado oito anos como vice-presidente de Barack Obama, ele herda grande parte do legado — e algum capital político — do ex-mandatário, o que ajuda a explicar um de seus trunfos: sua alta popularidade com o eleitorado negro americano e com a população mais velha.

Seu vínculo estreito com o Obama, a quem costuma se referir como irmão, pode continuar sendo um fator-chave para Biden manter sua força nesse público.

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Biden herdou parte do capital político de Barack Obama, sobretudo entre o eleitorado negro

Sendo a saúde uma questão crucial na campanha eleitoral americana (uma vez que o país não tem um sistema de saúde universal), Biden lançou ainda no ano passado anúncios publicitários contando sua história pessoal e explicando por que “o acesso à saúde é algo pessoal para mim”.

Em 1972, ele perdeu sua mulher e filha em um acidente de carro, que também feriu seus dois filhos pequenos. Um deles, Beau Biden, morreria em 2015 de câncer no cérebro.

Em seus anúncios publicitários, ele afirmava que “não imagina como teriam sido esses momentos” se ele e sua família não contassem com cobertura de saúde. Ele defende a expansão do Obamacare, forma como ficou conhecido o projeto de saúde de Obama que prevê coberturas a preços acessíveis, mas sem eliminar planos privados ou sem universalizar totalmente o sistema (uma diferença importante em relação a Sanders).

Biden também é apontado como mais moderado, tendo dito que pretende trabalhar em conjunto com o rival Partido Republicano em assuntos importantes.

“Temos de vencer Donald Trump, mas não podemos ser como ele”, declarou ele nesta terça. “Precisamos de um presidente que possa curar o país.”

Ele exalta, ainda, sua experiência em política externa na época em que foi vice de Obama e quando senador, momentos em que presidiu o Comitê de Relações Exteriores no Senado.

Além de herdar dividendos políticos da era Obama, Biden conta com o apoio do establishment político do Partido Democrata, que vê Sanders como radical. Na avaliação de muitos analistas e pesquisas de opinião, Biden ainda é visto por parte do público democrata como um candidato mais competitivo para enfrentar Trump, em relação a Sanders.

Biden também ganhou o endosso de pré-candidatos democratas importantes que desistiram nos últimos dias: Michael Bloomberg, Amy Klobuchar e Pete Buttigieg.

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Filas para votação na prévia democrata na Califórnia; estão em disputa nas primárias americanas 3.979 delegados

Mas ele tem pontos fracos que devem ser explorados pelos republicanos caso seja escolhido candidato. O primeiro tem a ver com o processo de impeachment de Donald Trump, no qual ele foi inadvertidamente uma figura central: foi a partir do pedido de que o governo da Ucrânia investigasse Biden e seu filho Hunter por seus negócios com uma empresa petrolífera ucraiana que Trump foi acusado de abuso de poder.

É bem provável que essa ligação com a Ucrânia (até o momento não sustentada por provas concretas) vire tema de discussão durante a campanha.

Além disso, Biden é criticado por episódios de contato físico inapropriado com eleitores e correligionários — mais especificamente, em 2019, quatro mulheres disseram que foram tocadas sem consentimento pelo político. Em vídeo pelo Twitter, Biden prometeu ser “mais respeitoso com o espaço pessoal das pessoas”.

Bernie Sanders: ‘revolução’ e eleitorado jovem

Senador por Vermont, Bernie Sanders é o candidato mais velho (78 anos) e mais à esquerda na disputa democrata,

Ele ganhou força ao vencer as prévias nos primeiros Estados em disputa: Iowa, New Hampshire e Nevada. Também venceu em três Estados na Super Terça e lidera as apurações primárias no maior colégio eleitoral do país, a Califórnia.

Sanders tem sido puxado, em grande parte, pelo eleitorado jovem e por uma ala de democratas tida como bastante leal a ele — a ponto de alguns eleitores terem dito à imprensa americana que se recusariam a ir às urnas em novembro caso Sanders não seja escolhido candidato democrata.

Com um discurso anti-establishment, Sanders tem como tema centrais de sua plataforma eleitoral a implantação de um sistema de saúde universal e gratuito (com a eliminação de planos privados), um salário mínimo de US$ 15/hora, o perdão das dívidas de financiamento estudantil e sistema de ensino superior gratuito.

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Sanders ganhou ímpeto entre o eleitorado mais jovem

“Ele costuma dizer, corretamente, que parte de sua agenda antes considerada radical acabou sendo abraçada por muitos democratas”, afirma o The New York Times. “Ele é um dos candidatos mais conhecidos na corrida. Mas mantém-se como uma espécie de outsider: autodescrito como socialista democrata, ele nunca se filiou ao partido que espera liderar.”

Isso é visto por muitos analistas tanto como um possível ponto forte (por atrair um eleitorado mais progressista e jovem insatisfeito com a política atual) quanto como um calcanhar de Aquiles: muitos acreditam que, com propostas tão à esquerda do espectro político e um discurso tido muitas vezes como radical e divisivo, Sanders teria poucas chances de vencer Trump em redutos eleitorais conservadores dos EUA.

Isso é particularmente importante em um país onde a designação “socialista” tem conotação pejorativa com uma parcela significativa do eleitorado.

Ao mesmo tempo, Sanders é visto como um candidato consistente, que praticamente não mudou seu posicionamento na maioria dos temas cruciais ao longo de sua vida política.

Ele foi eleito congressista pela primeira vez em 1991 e, antes disso, foi prefeito da cidade de Burlington, em Vermont. Em 2007, foi eleito senador.

É duro crítico de políticas e incentivos que, ao longo de diferentes governos, favoreceram multinacionais e grandes investidores, e defensor da redução da desigualdade de renda nos EUA, com mais impostos sobre os mais ricos e uma maior presença do Estado na saúde e na educação.

Se for escolhido candidato democrata, Sanders deve enfrentar questionamentos sobre sua saúde — recentemente, ele afirmou que não pretende divulgar informações adicionais sobre seu estado de saúde, poucos meses após ter sofrido um ataque cardíaco — e por sua posição a respeito do controle de armas — ele é duramente criticado por outros democratas por ter votado, no passado, contra uma lei que exige antecedentes criminais de compradores de armas de fogo.

Outro questionamento é a respeito de como financiar seus ambiciosos planos para a saúde e educação, cujos custos são estimados em trilhões de dólares.

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